domingo, 28 de abril de 2013

Enfim The Cure


 Parecia uma utopia ver o The Cure no Brasil novamente, afinal perdi suas apresentações em terras tupiniquins porque era muito novo na primeira vez e na segunda eu estava mais head banger,mas no final dos anos 90 resgatei em mim o gosto musical intimista e desde então sonhava em ver ao vivo Robert Smith & Cia , quase um porta voz dos meus sentimentos, amo o disco " Desintegration " e cada vez que assistia o dvd Trilogy ficava impressionado com a perfeição e a técnica da banda ao vivo e a imersão sentimental deles em todas as faixas, o disco é de uma beleza sublime.
Pois então o The Cure ficava naquele amor platônico, do qual diante desses dvds ao vivo e lives do You Tube eu me imaginava dentro desses  shows e partilhando o mesmo espaço dessa magnitude, sim o Cure é grandioso, embora suas faixas sejam introspectivas e às vezes despretensiosas eles possuem uma grandeza, torna se épico e às vezes denso.
Enfim estamos em 2013, no dia seguinte à liberação dos ingressos lá estava eu acordando de madrugada em busca do meu para finalmente realizar esse sonho. Passados alguns transtornos sobre a mudança do local do show que antes seria no estadio do Morumbi e depois transferido para a Are
na Anhembi com uma possivel troca de ingressos já comprados, tudo se esclareceu e imaginei que essa platéia agora menor ( 30 mil pessoas)seria realmente a platéia que Robert queria ver, a platéia que dançou " Inbetween Days" na matinê, a platéia taciturna que se movia no gelo seco ao som de "Lovesong" ; a platéia que tinha um pôster de " Boys Dont Cry" com a clássica silhueta de Robert em preto com sua guitarra e seus cabelos desgrenhados.
O show teve a pontualidade britânica, eles entraram com " Open" Robert estava lá para nos dar aquilo que queríamos: música, entre um som e outro um " Obrigado" rouco com um forte sotaque, o Cure é assim e é por isso que os amamos, no meio da emoção meu amigo gritou no meu ouvido: " e pensar que ele tocou com Siouxsie" eu ouvi e concordei mas no fundo pensei: Na verdade Siouxsie tocou com Robert, no

sentido de que sempre achei o The Cure maior que todas essas bandas, quase um clichê se eu emparelhar o pós punk e o dark dos anos 80, mas minha formação musical é essa!
A imersão de Robert nas faixas todas tocadas com um esmero e uma perfeição digna de astros comovia a todos, olhei tantas vezes sua figura fantasmagórica no telão e vieram imagens de alguns dvds, dos quais com os olhos nas órbitas Robert " procurava " essas imagens mentais, procurava materializar de alguma forma aquilo que cantava.
Veio uma sequencia arrebatadora: "Lovesong"; "Lullaby";" Fascination Street" em " Lullaby" Robert dançou tirando risos e aplausos da galera, sua imagem era um misto de mistério com candura, só ele consegue ser assim, até que veio "A Forest" foi nessa faixa que compreendi porque o The Cure é épico, uma longa introdução cureana e  luzes esverdeadas nos transportavam para essa floresta assustadora, poderia ser a floresta da Bruxa de Blair, ou a floresta de Lars Von Trier, mas essa floresta me deixou marejado, no final palmas no ritmo do baixo homenageavam a música, alguem da platéia grita: " Obra Prima!" senti um gelar na alma e um extase instantaneo! Obrigado Robert! até mesmo porque pra quem ainda não sabe o Cure é o Robert! Os dois vídeos abaixo foram gravados por mim, desculpem me pelas imagens, mas já que esse relato é muito pessoal, queria minha visão do palco, minha sensação e minhas lentes !!
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